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Was wäre, wenn ich das Meer sehen könnte?

Ich möchte das Meer sehen. Ich möchte das Meer sehen.

Immer, wenn ich das Meer nicht sehe, möchte ich es sehen. Mit dem Meer wird alles besser, oder? Nein, nichts wird besser, nur das Meer zeigt mir, wie schnell wir vergessen loszulassen, zu vertrauen, zu beobachten, zu lauschen, ruhig zu sein. Das Meer ist immer Meer. Jeden Tag und jede Nacht ist es Meer. Warum wohl habe ich diese Sehnsucht nach dem Meer? Ich, die in einem meerlosen Land zur Welt kam, wo es alles andere hat, nur kein Meer. Zugegeben, vielleicht ist meine Meeressehnsucht nur da, weil ich eben in einem meerlosen Land lebe. Das Meer weist einen nicht ab, fragt nicht nach, lässt einem Zeit, ist in einem Zustand steter Veränderung. Ich liebe das Meer. Wir zwei sind dicke Freunde, richtig dicke Freunde. So bilde ich es mir jedenfalls ein. Auf dem Meer, am Meer, ums Meer habe ich die schönsten Momente meines Lebens erlebt, unglaublich. Ich habe gelernt, nur mit ausgewählten Menschen über diese Freundschaft zu sprechen. Zu oft habe ich ein spöttisches Lächeln oder eine abweisende Antwort auf meine Meergeschichten kassiert. Meinem Meerherz geht es besser, wenn es keine solchen Stiche abkriegt. Das Meer, der Ozean hat mich gelehrt: gelehrt Verantwortung zu tragen, zu entscheiden, für mich einzustehen, zu kämpfen, Strategien zu entwickeln, Geduld zu haben, viel Geduld zu haben, loszulassen, aufzubrechen. Manchmal spreche ich von der dritten Dimension: Huch, dritte Dimension? Naja, da kommt dann diese verflixte Sportart ins Spiel, bei der die Dimensionen immer öfters durcheinandergeraten. Jedenfalls bei mir. Man nimmt ein Brett, ein sogenanntes Surfboard mit einer Schnur, der Leash, die verhindern soll, dass dieses Brett einen verlässt. Je nach örtlichen Bedingungen schlüpft man in einen Anzug oder Shorts, ums möglichst lange im Meer aushalten zu können. Manche führen vor der Wasserung ein Wachsritual und/oder weitere Formen von Ritualen durch, um es dann leichter auf der Suche nach der perfekten Welle zu haben. Alles gut? Nur um eins klarzustellen: Ich warte weder auf die perfekte Welle, noch bin ich auf der Suche. Und grundsätzlich geht es ja um die dritte Dimension.

Ich möchte das Meer sehen. Du nicht auch?

Claudia Mini, 2008
 

O que seria se eu pudesse ver o mar?

Eu quero ver o mar. Eu quero ver o mar.

Sempre que eu não vejo o mar, quero vê-lo. Com o mar tudo fica melhor, não? Não, nada fica melhor, o mar apenas me mostra o quão rápido esquecemos de largar, confiar, observar, ouvir, estar tranquilos. O mar é sempre o mar. É mar a cada dia e a cada noite. Porque é que será que tenho esta saudade do mar? Eu, que nasci num país sem mar, onde existe tudo menos o mar. Admito que talvez a minha saudade pelo mar apenas exista precisamente por eu viver num país sem mar. O mar não rejeita ninguém, não faz perguntas, dá tempo, está num estado de permanente alteração. Eu amo o mar. Nós somos dois grandes amigos, mesmo grandes amigos. Pelo menos, é isso que eu imagino. Foi no mar, à beira-mar, em torno do mar que vivi os mais belos momentos da minha vida, inacreditável. Aprendi a falar sobre esta amizade apenas com determinadas pessoas. Foram muitas as vezes que fui alvo de um sorriso trocista ou que recebi uma resposta hostil relativamente às minhas histórias com o mar. O meu coração de mar sentir-se-á melhor se não for objeto de tais picardias. O mar, o oceano ensinou-me: ensinou-me a ser responsável, a decidir, a responder por mim, a lutar, a desenvolver estratégias, a ter paciência, a ter muita paciência, a largar, a partir. Por vezes falo de uma terceira dimensão: Uff, terceira dimensão? Bem, depois mete-se esse maldito desporto ao barulho, no qual as dimensões frequentemente se misturam. De qualquer modo, no meu caso. Pega-se numa prancha, a chamada surfboard com uma corda, o leash que deverá impedir que essa prancha nos abandone. Dependendo das condições locais, veste-se um fato ou calções para aguentar o máximo de tempo no mar. Alguns fazem um ritual de encerar a prancha e/ou outros rituais onde a água bate na areia para facilitar a procura da onda perfeita. Tudo ok? Apenas para que fique claro: eu não estou à espera nem da onda prefeita nem à procura. Em princípio, o que importa é a terceira dimensão.

Eu quero ver o mar. E tu também?

Claudia Mini, 2008; Portugiesische Übersetzung 2017